As ideias autoritárias e o neoliberalismo extremista estão levando o Brasil a uma enorme crise

Os atos pró Bolsonaro no último dia 26/05 não se comparam com as manifestações do dia 15/05 e 30/05, que defenderam a educação.

Tempos estranhos pairam sobre a República, pessoas que se dividem entre defender o presente ou defender a educação. Alguma coisa está fora da ordem. Estamos diante de um presidente da República que precisa se amparar no radicalismo e o flerte com o autoritarismo, para tentar governar. O presidente, acredita que após o segundo turno, existe o terceiro, mas não, quem venceu o segundo turno é diplomado presidente, e este deve governar.

O presidente parece se valer de frases de feitas, piadas de mau gosto, para ignorar o quão ruim é o seu governo, e pior ignorar o que realmente aflige e atinge o provo brasileiro, que busca trabalho, e infelizmente está voltando a passar fome.

Bastaram cinco meses de governo Bolsonaro, sob condução da gestão neoliberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, o economista de Chicago, que não possuí um livro ou uma ideia conhecida, que não possuí nenhuma vivência no setor público, para o país estar sendo conduzido ladeira abaixo, em um cenário de degradação econômica sem precedentes.

Não foi por falta de aviso de que chegaríamos a esse Brasil de 2019, quase inacreditável de se vivenciar. A realidade de hoje contrapõe ao país de pouco tempo atrás, quando havia emprego uma relativa esperança de desenvolvimento econômico, que começou a degringolar com a péssima administração Dilma Rousseff, o que piorou com o impeachment.

Estamos assistindo ao endurecimento do caos social, com violência cada vez pior, queda da renda, alta dos preços e até mesmo a fome. A deterioração da vida das pessoas pode ser sentida na pele das famílias brasileiras. A população voltou a usar lenha e álcool para cozinhar porque não tem dinheiro para comprar o gás de cozinha, que aumentou 24% nos últimos dois anos e em algumas cidades, o preço do botijão já ultrapassa os R$ 150,00.

Em um ambiente político instável, desastroso e incompetente, com a pressão das ruas contra o governo e um presidente desastroso, que ataca o Congresso, que joga o trabalhador contra o próprio trabalhador, o povo contra a democracia e insufla extremismos, a economia é o que mais preocupa. Uma vez que o Brasil voltou a linha da pobreza e da miséria.

São quase 14 milhões de pessoas sem trabalho, 5,8 milhões de brasileiras e brasileiros passando horas e horas nas filas à procura de uma oportunidade, 8 milhões que desistiram de encontrar uma vaga e 28 milhões em situação de subemprego. Tudo subiu, desde o litro da gasolina que bateu os R$ 5,00, depois de seguidos reajustes; passando pela cesta básica com alta de até 20,25% em 12 meses; e os juros do empréstimo pessoal atingindo inacreditavelmente 108,54% ao ano e do cheque especial 358.44%.

Outro dado significativo e preocupante é o endividamento dos brasileiros, que registrou a quarta alta consecutiva – o percentual de famílias com dívidas a pagar chegou a 62,7%. A população não consegue mais guardar dinheiro, ao contrário, as pessoas estão se desfazendo de suas poupanças. Em 3 anos, atingimos o pior resultado, onde os saques fizeram a poupança perder R$ 2,878 bilhões.

Todos os sinais são de que perdemos o ano. 2019 já era para a economia brasileira, a confiança dos empresários da indústria e da construção civil caindo, só aprofunda o sinal claro e negativo para o investimento, diante da grande ociosidade (leia-se, ociosidade forçada) e fraca demanda. Ou seja, como ninguém está consumindo, as fábricas não produzem, e consequentemente não geram empregos.

Quem fez um alerta recente foi o economista Delfim Netto, na qual observou que a percepção do país é que ele está naufragando. “Caminhamos para uma depressão econômica”, disse o ex-ministro em entrevista ao Roda Viva. “Estamos na boca de um buraco negro que está atraindo tudo lá para dentro. A conjuntura está piorando em uma velocidade enorme”.

Diante de todo este caos, o que faz a liderança máxima do país? Chama uma manifestação popular para apoiar o seu desgoverno, a Reforma da Previdência, que vai tirar ainda mais direitos do povo e o pacote de Sergio Moro, que é uma licença explicita para matar e prender sem observar as garantias legais, conquistas com luta e sangue.

Vai sobrar para a população preta e pobre das periferias.

Os atos de Bolsonaro não se compararam aos do dia 15 e 30 de maio, que defenderam a educação. Não se trata de ser de esquerda, centro ou direita, trata-se de defender a educação ou um presidente despreparado e com ligações suspeitas com a milícia do Rio de Janeiro e do Distrito Federal.

A adesão, a mobilização e a capilaridade do dia 15 e 30 foram muito maiores. Bastava olhar as imagens para ver os vácuos nas ruas. Para muito além do apoio às reformas, tão divulgado, os atos foram contra a democracia, contra a educação brasileira, contra a saúde, contra os direitos do povo e pela intervenção militar, mostrando a face autoritária desde governo e de quem ainda o apoia.

Vivemos tempos de luta e resistência e não vamos esmorecer. Dia 15 e dia 30 foram gigantescos e voltaremos às ruas contra o corte de verbas da educação e pelos direitos do povo. Retirar o benefício do BBC de velhinhos, miseráveis, deveria ser considerado um crime contra a humanidade. Estaremos vigilantes, numa grande ação contra a Reforma da Previdência e em defesa da democracia e da soberania nacional.

Bolsonaro não intimidará com sua tropa e sua milícia digital. 

 

João Pedro da Paz, é professor de Libras, Cientista Político, Jurista e escritor. 

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